segunda-feira, 14 de julho de 2008

2 monólogos.


Na sala:

- Lavar pratos com luvas é meio estranho... Quando você enxágua, não dá para sentir quando sai todo o sabão. Concorda?
[ Enquanto escrevia ]

- Como?
[ Enquanto rasgava a calça para que ela ficasse um pouco mais "fashion" ]

Ouvindo:
Elis...
Sambou, sambou!

Ensaboou!
Ensaboa.

A bossa nova (desambiguação).




O nosso universo 2 [ à dois ] é maravilhoso.
O nosso universo 1 [ à hum ] é assustador.

O Meu.
O Seu.

---

Ela gostava de tudo muito limpo.
Ele gostava de tudo muito organizado.

Ele estava sujo e ela estava desordenada.

---

E ainda tem aquela gente:
que implica, explica e replica.

E ainda tem a gente:
que complica também.

Ah... Essa gente...
Pra quê tanta gente, minha gente?

sábado, 12 de julho de 2008

A arte.



para lucy:

"eu acho que a arte não pode mesmo ser definida"
"eu acho que a arte é a manifestação do espontâneo após o repertório"
"eu acho que arte é uma palavra bonita"

que com um m se transforma em marte.
e parece ser de lá o endereço desses pensamentos.

porém:

v
á
l
i
d
o
s

e avulsos.


---

afinal, a maior arte é a vida.

[ clichê ]

afinal, a vida é.
sem mais.
ela é.
sem estar.
ser.
será?rte

A dancinha.



Na tranquilidade do dia seguinte.
Na tranquilidade do nosso sorriso.
Na tranquilidade do jazz.


[ Assim... ]

Com música:

Madeleine Peyroux
(Looking For) The Heart Of Saturday Night

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O começo.



Quando o acesso é livre [ mas a cara é amassada ]
Quando a vontade silencia [ e o beijo grita ]
Quando a música é pesada [ mas a dança é leve ]
Quando o banheiro é pequeno [ e a intimidade é grande ]

http://poucobanheiroemuitaintimidade.blogspot.com/

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A (à) vontade.


Abre o envelope!

De: mim.
Para: você.

---

Desdobre esse papelzinho meio amassado.
Com cuidado!

- Tá frio, né?
- É... e no Brasil poderia ser assim: namoro no inverno e solteirice no verão.

---

Agora me liga?
Beijo!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O desejo.


E ela queria só isso:
uma história de amor.

E ela pensava só nisso:
em uma história de amor.

Então ela girava, girava tanto que ficava tonta.
Enquanto tonta, pensava:

Deixa...
Menina, deixa disso.

domingo, 15 de junho de 2008

O caminho.


anda e debanda com a banda.

quarta-feira, 19 de março de 2008

O labirinto.

Rimas ABB
Então é isso.

Então é assim.

Você se esquece e eu esqueço de mim.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A overdose.


Lá pelos lados da Colômbia:

- Tranquilo, amigo. Tranquilo, tranquilo!
- Ow, super!
- O quê você faz por aqui?
- Ah, eu costumo ver o nascer do sol. Sabe... as casinhas brotam das montanhas... e tem uma luz rosa, é lindo. E você?
- É... na minha terra era assim também. Nunca pensei que sentiria esse tipo de saudade.
- Dói lá dentro, né?
- Dói... É uma dor sem cor.
- Preto?
- Não...
- Cinza?
- Talvez... sei que não é branco, parece não ter cor, já disse.
- Vamos parar com esse papo?
- Vamos...
- Amigo? Tranquilo, tranquilo?
- Tranquilo...
- Amigo? Amigo?

Silêncio.
Branco.

O objetivo nunca foi perder os sentidos, mas otimizá-los.
De fato, conseguiu.

A respiração, só ela que parou.



domingo, 11 de novembro de 2007

A pergunta.


Ao buscar a pequena na portaria da escola, a mãe se depara com uma pergunta inusitada:


- Mamãe,...
- Fala, flor...
- Para onde vai essa linha tênue que transpassa a vida e se chama tempo, trazendo experiências que nos tornam seres mutantes?
- Não sei, nunca pensei nada a respeito.
---
De mãos dadas, elas entram no carro e mais uma porta é fechada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A gente.

A gente era uma ótima combinação.
Boas idéias reunidas.

A gente não existe mais.

Essa gente é pequena.
Que se afoguem no individualismo que tanto preservam!
Que se afoguem no senso cego de responsabilidade que -de fato- tem!

Essa gente não.
Essa gente não tem mais tato.
Essa gente que preciso odiar só por causa do amor que sinto.

Como a gente mudou...
Não se conhece e nem quer se conhecer mais.
Quantos copos, sorrisos e lágrimas...
Tudo acompanhou a água. A mesma que escorreu pelo cano e parou no esgoto.

Ah...essa gente: nada indiferente (ainda).

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A demissão.

Quando o foco é o relógio e o tempo não passa.
Quando está com sono e não pode dormir.
Quando se tem pouco o que aprender e preguiça de ensinar.
Quando os pensamentos não repousam em ninguém e dormem com as preocupações.
Quando a rotina está

T
O
D
A
errada.

É hora de dar tchau.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Os risos.

Gosto de sair.
Gosto de rir com as pessoas.
A gente ri muito.
Fingimos rir juntos e rimos uns dos outros.
Achamos que não é perceptível e que essa artimanha é só nossa.

Pequeno equívoco.
A gente se engana, mas todos riem.
Todos se riem.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A oração.




Posso correr, Senhor?


As piadas deles são horríveis e os sorrisos são falsos.


Tá faltando bondade por aqui, Senhor.


Tá sobrando deslumbre e arrogância.


Sabe o que é pior, Senhor?


Acabo me misturando entre eles, não posso andar desarmado.


Fico parecido com essa gente e isso me dói.


Ah, Senhor...já mudei tanto, nem questiono mais as coisas.


Mas, ainda, tô procurando um sentido, não vou parar até encontrar.


Tem que ter uma razão, Senhor.


Não é possível que você seja tão sádico assim!


Eles complicam demais e bagunçam meus sentimentos, Senhor.


É difícil e não quero ficar reclamando.


Tô levando do jeito que consigo.


Ninguém entende, Senhor.


Ninguém quer entender, eles estão muito ocupados.


Muda meus olhos, Senhor. Não quero ver como vejo.


Muda minha cabeça, Senhor. Não quero pensar como penso.


Aliás, Senhor, me muda daqui.


Isso tudo parece ser tão grande, mas é tão pequeno.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O futebol.

É um jogo, aliás, um campeonato.
Tem muita gente assistindo.

Bola no campo.
Apito.
Correria.

Um time não sobrevive só de torcida.
Transpiração.
Retenção.

Game over.
Ninguém ganhou. Empate.
Muitas conversas técnicas:

- blá blá blá
- blá blá blá
- blá blá blá



Havia muitos pontos a seguir nas frases, finalmente, colocaram o final.
Conclusão: problema no ataque.

Fui ao estádio:
Olhei, olhei tanto que o olho secou.
Busquei, busquei tanto que não encontrei.

- E agora?
- Agora? Bola pra frente, oras! Foi só uma rodada e começo a gostar de futebol.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A primavera.


Asher Durand, Early Morning at Cold Spring, pormenor, 1850







Sempre tão bela, oh primavera!

[ provavelmente, muitos já fizeram essa rima, que de tão boba chega a ser agradável ]



Amo flores, cores quentes, alegria, vestidos, drinks de frutas e cabelos ao vento.
Ok.
Acabou o deslumbre, mas continua sendo minha estação favorita.
Primavera? Primavera me lembra paixão.



E, agora a primeira pessoa se retira:


.
.
.


A paixão é uma patologia que confirma o desequilíbrio humano.




Quando não é correspondida se assemelha ao suor secado pelo calor do sol.



Fica impregnado e você não vê a hora de tirá-lo.



Toma banho, esfrega e reza para que toda aquela secreção desça pelo ralo.



E, ainda desconfiado, pega uma bucha e esfrega a pele até começar a vermelhidão. Não satisfeito, esfrega mais e mais. Sangra.



Nesse momento, certamente, o suor já se foi, mas sua essência abraça sua carne como um vampiro, cresce como rizomas, atinge a alma e impossibilita a paz.






Drama? Ah, sim. É a principal característica.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Os fragmentos.

Isabel Castilho
Óleo sobre tela 60 x 60 cm

Relações fragmentadas,

merecedoras de muita confusão e angústia.

(para pouco tempo)

escorre, escorre, escorre...

Relações fragmentadas,

dignas de muitos calmantes e bebidas.

(para pouca vida)

morre, morre, morre...

Relações fragmentadas,

modernas e desprezíveis.

(para muita gente)

corre, corre, corre...

.

É, o negócio é prosa... porque poesia, definitivamente...

tsk tsk tsk


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O boteco.


- Por onde as naus de Cabral penetraram a costa brasileira?

- Porto Seguro? Prado? Alcobaça?

- A disputa é grande...

- E onde Tiradentes nasceu?

- Ritápolis? Tiradentes? São João?

- Olha, não sei... Garçom mais uma!

- Mais uma?

- Por que não? Todo mundo vê as pingas que tomo, mas jamais os tombos que levo. As naus penetraram nas Minas e Cabral nasceu na Bahia, oras!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

As dicas.

Dicas para uma vida feliz:



  • Não questione Deus ou sua existência. O tempo dele parece ser infinito, o nosso não é.

  • Ame sua família. Aperte muito as bochechas das crianças, quando elas crescerem, dificilmente, deixarão você apertá-las de novo.

  • Seja honesto.

  • Tenha sempre algo para cuidar, dê preferência para sua vida.

  • Não busque a perfeição. Ela não existe e a psicose doentia pela otimização do ser, te levará aos distúrbios modernos como stress e transtorno bipolar.

  • Confie em quem você beija na boca. Sofrer faz parte do processo.

  • Ouça música alta e dance da maneira que quiser, não se importe com o que os outros vão pensar, e, se você for apontado, morda o dedo indicador de quem o fez.

  • Coma de tudo, mas não muito. Aumentar o peso na balança é fácil, já o contrário...

  • Evite falar muito. Quando a boca se recusar a ficar fechada, apele para fitas adesivas e outros meios de expressão, como arte, música ou literatura.

  • Guarde seus preconceitos, todos temos os nossos, mas não precisamos defendê-los. Se alguém te disser que é livre de preconceito, desconfie.

  • Não leve desaforos para casa. Rodar a baiana é essencial em alguns casos. Em um futuro breve, renderão ótimas histórias e gargalhadas.

  • Quando você pensar em suicídio, vá para um bar e encha a cara. A única certeza da vida é a morte, não queira antecipar isso.

  • Nunca tenha uma arma na bolsa. Porque, certamente, você será preso e a prisão não é legal.

  • Não se intrometa no trabalho alheio, para isso, contrate apenas especialistas.

  • Evite gastar mais do que ganha. Complicações com bancos são chatas e demoradas.

  • Faça um luau com amigos na beira da praia, mas não deslumbre e não vire hippie.

  • Use drogas ilícitas ao menos uma vez na vida. Ter uma pequena noção do que sua mente é capaz fará com que você se conheça melhor (ou não, rá!).

  • Beije alguém do mesmo sexo que o seu. O sal não seria tão bom sem o açúcar.

  • Vá para o interior algumas vezes. Inspire o cheiro do café recém cuado saindo pelas janelas e o sinta atravessar seus pulmões, faça desse odor um convite e sente na sala de algum velhinho. Converse com ele, pegue na sua mão e ouça com muita atenção cada palavra. Não deixe que sua arrogância impeça essa experiência. Vale lembrar que eles já foram jovens, mas você nunca foi velho.

  • Por fim, crie suas próprias dicas. Invente, grite, sonhe. E, como costuma dizer um amigo: se tudo der certo, vai dar uma merda do caralho.